Sobre o Projeto

O Programa Interinstitucional de Bolsas de Iniciação à docência (PIBID) é um programa do MEC, fomentado pela CAPES para o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica. Na UFPel, desde 2010, o curso de Teatro está participando, juntamente com os demais cursos de licenciatura. Atualmente somos um grupo de 12 alun@s do curso de Teatro - Licenciatura da UFPel, bolsistas do PIBID - CAPES/MEC. Desenvolvemos ações específicas da área de teatro e projetos educacionais interdisciplinares, no momento, atuando em quatro escolas públicas parceiras do programa, em Pelotas/RS, orientados pelas professoras/es supervisoras/es das escolas e pelos coordenadores de área.
Mostrando postagens com marcador Roberta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roberta. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Oficina PIBID teatro para Professores na semana da educação do IEEAB


Dia 26 de outubro, ministramos outra oficina na Semana da Educação da escola Assis Brasil, no planejamento inicial estava previsto trabalharmos Teatro Fórum com professores. Contudo, devido a mudanças em questões organizativas da escola, não fora possível fazer esta oficina. Tivemos 3 professores e 17 alunos do Colégio Pelotense e Assis Brasil disponíveis para o trabalho, assim decidimos trabalhamos jogos e exercícios de improvisação de cenas. Fizemos alguns jogos de percussão onde todos puderam brincar e descontrair-se em um primeiro momento, depois desenvolvemos o jogo da cadeira, trabalhamos o coletivo do grupo, estimulando a atenção e a parceria durante o jogo, levando a uma integração dos presentes. Com os exercícios de improvisação promovemos a descontração, diversão e a expressão através da linguagem gestual. Depois da oficina os participantes tiveram espaço para refletir sobre os jogos utilizados e sua disponibilidade ou não para ser em utilizados nas suas práticas docentes, após um momento de reflexão todos concordaram em utilizar o teatro como agente transformador, possibilitando um aprendizado mais completo.


Ariano Bandeira (curso de Filosofia – UFPel)
Diego Fogassi Carvalho
Roberta Bandeira Alves

Sobre as aulas de Teatro com turmas do Curso Normal, no I. E. E. Assis Brasil.


Desde agosto último, trabalhamos em conjunto nas atividades do PIBID da área específica – Teatro, com duas turmas do 2º ano do Curso Normal, no I. E. E. Assis Brasil.
Considerando que as alunas estão estudando num Curso de Formação de Professores, construímos um Plano de Ensino pensando no desenvolvimento humano e artístico, mas principalmente, na formação profissional delas.
Planejamos as aulas de Teatro desejando proporcionar além do acesso e exercício da linguagem teatral, também a oportunidade da apropriação, pelas futuras educadoras, de metodologias utilizadas no ensino de Teatro. Assim, trabalhamos a partir de jogos teatrais, jogos infantis, e brincadeiras populares (contemplando exercícios sensório-motores e corpóreo-vocais, assim como de improvisação) que poderão ser utilizados no ensino de Teatro para crianças na prática docente das alunas.
Em determinado momento, depois de mais ou menos um mês de trabalho, devido à oscilação da participação das alunas nas aulas de Teatro, sentimos a necessidade de promover um momento de “medição de temperatura”, uma avaliação das alunas sobre as aulas e também uma auto-avaliação individual sobre a participação de cada uma nas mesmas. Queríamos saber se as aulas de Teatro estavam satisfazendo seus interesses e como poderiam vir a satisfazê-los. Pedimos às alunas que registrassem suas opiniões por escrito, para que nós também pudéssemos reavaliar o trabalho que estava em andamento e realizar ajustes ou adaptações que porventura se fizessem necessários. Algumas opiniões registradas pelas alunas sobre as aulas de teatro:
 “...gostaria de atividades relacionadas aos diversos ritmos de música...”
 “...participo porque nos ensina várias coisas para nosso trabalho com as crianças...”
“...eu brinco muito em casa com a minha irmã, com os exercícios das aulas...”
“...eu adoro a aula, só que eu pensei que era tipo novela, aprender a atuar...”
“Eu...adoro as aulas de teatro. Consigo me soltar...”
“Eu não esperava que desse para trabalhar com as crianças, atividades de teatro...”
“No início eu achei que as aulas seriam somente aquelas cenas tipo novela, mas com o tempo a minha opinião tem melhorado cada vez mais...”
“A aula de teatro perfeita pra mim é aquela que tem várias atividades para poder se usar com as crianças depois. Queria que tivesse algumas coisas relacionadas à dança, gosto muito mais de dançar, do que de teatro.”
“Bem, confesso que no início não gostava muito, pois nós fazíamos muitas cenas, agora posso sim dizer que adoro as aulas, são diversas atividades que para mim serão muito importantes. Com certeza irei usar durante e depois do meu estágio...”
“Desde o início, achei maravilhoso as aulas de teatro surgirem, mas no início era mais tímida e aos poucos fui me esforçando e estou vendo uma evolução em mim!”
“...reclamação mesmo é do pouco tempo das aulas!”
“Participo das aulas porque gosto de teatro...eu como professora adoraria que meus alunos gostassem de teatro...”
“Acho que algumas atividades são repetitivas. Acho que as aulas são boas para conseguirmos nos expressar melhor em público...nas aulas que temos que criar cenas, eu não gosto pois sou tímida, então prefiro não participar.”
A partir desse feedback que obtivemos das alunas, percebemos que as opiniões sobre as aulas de teatro, embora no geral positivas, são bem variadas, assim como a relação que as alunas estabelecem com elas. Uma parte delas vê nas aulas uma possibilidade de desenvolvimento pessoal, assim como uma oportunidade de realizar atividades que lhes são prazerosas, sobre as quais tem interesse, como fica claro, quando falam sobre ritmos e dança. Mas também se constata que muitas delas vêem essa experiência com o teatro como uma oportunidade de capacitação para a futura atuação docente, reconhecendo nas atividades realizadas possibilidades metodológicas para o ensino de Teatro para as crianças.
A partir daqui, seguindo nosso objetivo inicial, de multiplicação dos saberes sobre o ensino da linguagem teatral, de capacitação das alunas enquanto professoras, a partir da aquisição desse repertório metodológico, entendemos que era necessário tornar mais explícita a relação possível entre o exercício da linguagem teatral e o ensino da mesma. Desde então passamos a enfatizar essa nossa proposta a cada aula e jogo, de maneira a chamar a atenção das alunas para essa possibilidade de se capacitarem para o ensino do Teatro através dessa experiência do fazer teatral.
Após mais ou menos um mês novamente, entendemos que seria importante, as alunas registrarem reflexões sobre essa relação entre as aulas de Teatro e a atuação futura delas como mediadoras do processo de ensino-aprendizagem com seus alunos. Justamente para fazerem o exercício de visualizar como realizar isso na prática. Sobre esse segundo capítulo, escreveremos em breve.

Melissa Vazques
Roberta Bandeira

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ciclo de palestras com Nara Kaisermann.


Em 2008, durante o 1º Festival de Teatro Universitário de Pelotas, os alunos da primeira turma do curso de Teatro da UFPEL tiveram a oportunidade de participar da oficina ministrada pela professora Nara Kaiserman, convidada do Festival. A oficina proporcionou a experimentação de técnicas de improvisação corporais, apontando possíveis caminhos para o processo de criação do ator. Em agosto de 2011, novamente Nara Kaiserman, que é professora da Escola de Teatro da UNIRIO, esteve em Pelotas a convite do curso de Teatro, dessa vez, para o primeiro encontro do Ciclo de Palestras do PIBID – Área de Teatro.
Durante o encontro, Nara compartilhou, com os alunos presentes, um pouco do processo de pesquisa realizada por ela em Portugal, junto a CIA DO CHAPITÔ, grupo teatral de Lisboa que trabalha com o Teatro Físico. Nara, que acompanhou de perto ensaios da CIA, conta que o processo de criação do grupo se dá a partir de personagens surgidos de improvisações. Através da utilização de figurinos e acessórios, inclusive de maneira extra-cotidiana, o jogo improvisacional é feito basicamente entre atores, diretor e objetos cênicos. O grupo privilegia a utilização do “pensamento” físico-corporal para dar vida a personagens e narrativas. Nara fala sobre a riqueza da motivação dessa natureza, utilizada no Teatro Físico, para o processo criativo do ator, para muito além de motivações psicológicas.
Nara abordou a relação do Teatro Físico com Meyerhold e a Biomecânica. Diz que uma das premissas do Teatro Físico é o desenvolvimento da capacidade autoral do ator, a capacidade de construir composições corporais próprias para seus personagens. Lembra que essa questão foi levantada primeiramente por Meyerhold, quando falava sobre a necessidade do ator ser um operário e quando falava em trabalho no teatro, referindo-se ao trabalho físico do ator.
 Diz que Meyerhold também foi o primeiro a falar sobre a relação com o espectador e que pretendia alcançar o espectador pela corporeidade, assim como o Teatro Físico. Ela fala que a descoberta do ritmo dos movimentos a partir da biomecânica é uma premissa do Teatro Físico, que os estudos da biomecância criaram as condições necessárias para o surgimento do Teatro Físico. Ela vê em Meyerhold, uma atualidade pouco reconhecida lembrando que ele foi também foi o primeiro a falar sobre atores que sabem mexer o corpo, mas não sabem pensar.
Tratando dessa corporeidade essencial para o Teatro Físico, Nara citou alguns autores que pesquisaram o corpo e o movimento. Autores que influenciaram a evolução do trabalho físico do ator. Nara cita Étienne Decroux, considerado o pai da mímica moderna, como uma grande influência do Teatro Físico.  Fala ainda sobre a influência de Delsarte, um dos precursores da dança moderna através da relação que ele estabelece entre corpo e alma, onde a dança passa a ser guiada pela alma, menos racional e mais instintiva. Cita Laban, falando sobre os passos que propõe para anteceder o movimento: ATENÇÃO, DECISÃO, INTENÇÃO E CONTATO. Aqui Nara sugere que os alunos pesquisem sobre Educação Somática, que propõe essa aproximação entre o Pensar e o Agir, onde Agir é Pensar. A educação somática diminui a distância entre uma coisa e outra, anula-as, entendendo que as duas se dão simultaneamente.
Falou também sobre o conceito de corpo dilatado, presente em Eugênio Barba: “o corpo dilatado é a pele dilatada, a pele que se desfaz, mesmo que a certa distância do outro ator, nossa voz, nossa pele, chega lá no outro”. Aqui também citou o filósofo e ensaísta português, José Gil, que trata sobre o corpo e o espaço, movimentos, agenciamentos, para dizer “quando a pele do ator se espalha no espaço é que o ator ocupa o espaço”.
No encontro com a Nara, apontaram-se caminhos para o trabalho do ator compositor, assim como propôs Meyerhold– o ator operário, na exploração de um Teatro mais corpóreo, mais próximo do Teatro Físico. E também caminhos pedagógicos para os futuros professores de Teatro, através da lógica que a Educação Somática propõe, trabalhando com o pensamento físico-corporal misturado ao mental, rompendo com a separação entre corpo e mente. Assim Nara produziu agenciamentos nos nossos desejos de vivenciar mais um encontro prático com ela, como em 2008. Ficando aqui então a sugestão para uma próxima oportunidade de tê-la aqui em Pelotas.