Sobre o Projeto

O Programa Interinstitucional de Bolsas de Iniciação à docência (PIBID) é um programa do MEC, fomentado pela CAPES para o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica. Na UFPel, desde 2010, o curso de Teatro está participando, juntamente com os demais cursos de licenciatura. Atualmente somos um grupo de 12 alun@s do curso de Teatro - Licenciatura da UFPel, bolsistas do PIBID - CAPES/MEC. Desenvolvemos ações específicas da área de teatro e projetos educacionais interdisciplinares, no momento, atuando em quatro escolas públicas parceiras do programa, em Pelotas/RS, orientados pelas professoras/es supervisoras/es das escolas e pelos coordenadores de área.
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sobre as aulas de Teatro com turmas do Curso Normal, no I. E. E. Assis Brasil.


Desde agosto último, trabalhamos em conjunto nas atividades do PIBID da área específica – Teatro, com duas turmas do 2º ano do Curso Normal, no I. E. E. Assis Brasil.
Considerando que as alunas estão estudando num Curso de Formação de Professores, construímos um Plano de Ensino pensando no desenvolvimento humano e artístico, mas principalmente, na formação profissional delas.
Planejamos as aulas de Teatro desejando proporcionar além do acesso e exercício da linguagem teatral, também a oportunidade da apropriação, pelas futuras educadoras, de metodologias utilizadas no ensino de Teatro. Assim, trabalhamos a partir de jogos teatrais, jogos infantis, e brincadeiras populares (contemplando exercícios sensório-motores e corpóreo-vocais, assim como de improvisação) que poderão ser utilizados no ensino de Teatro para crianças na prática docente das alunas.
Em determinado momento, depois de mais ou menos um mês de trabalho, devido à oscilação da participação das alunas nas aulas de Teatro, sentimos a necessidade de promover um momento de “medição de temperatura”, uma avaliação das alunas sobre as aulas e também uma auto-avaliação individual sobre a participação de cada uma nas mesmas. Queríamos saber se as aulas de Teatro estavam satisfazendo seus interesses e como poderiam vir a satisfazê-los. Pedimos às alunas que registrassem suas opiniões por escrito, para que nós também pudéssemos reavaliar o trabalho que estava em andamento e realizar ajustes ou adaptações que porventura se fizessem necessários. Algumas opiniões registradas pelas alunas sobre as aulas de teatro:
 “...gostaria de atividades relacionadas aos diversos ritmos de música...”
 “...participo porque nos ensina várias coisas para nosso trabalho com as crianças...”
“...eu brinco muito em casa com a minha irmã, com os exercícios das aulas...”
“...eu adoro a aula, só que eu pensei que era tipo novela, aprender a atuar...”
“Eu...adoro as aulas de teatro. Consigo me soltar...”
“Eu não esperava que desse para trabalhar com as crianças, atividades de teatro...”
“No início eu achei que as aulas seriam somente aquelas cenas tipo novela, mas com o tempo a minha opinião tem melhorado cada vez mais...”
“A aula de teatro perfeita pra mim é aquela que tem várias atividades para poder se usar com as crianças depois. Queria que tivesse algumas coisas relacionadas à dança, gosto muito mais de dançar, do que de teatro.”
“Bem, confesso que no início não gostava muito, pois nós fazíamos muitas cenas, agora posso sim dizer que adoro as aulas, são diversas atividades que para mim serão muito importantes. Com certeza irei usar durante e depois do meu estágio...”
“Desde o início, achei maravilhoso as aulas de teatro surgirem, mas no início era mais tímida e aos poucos fui me esforçando e estou vendo uma evolução em mim!”
“...reclamação mesmo é do pouco tempo das aulas!”
“Participo das aulas porque gosto de teatro...eu como professora adoraria que meus alunos gostassem de teatro...”
“Acho que algumas atividades são repetitivas. Acho que as aulas são boas para conseguirmos nos expressar melhor em público...nas aulas que temos que criar cenas, eu não gosto pois sou tímida, então prefiro não participar.”
A partir desse feedback que obtivemos das alunas, percebemos que as opiniões sobre as aulas de teatro, embora no geral positivas, são bem variadas, assim como a relação que as alunas estabelecem com elas. Uma parte delas vê nas aulas uma possibilidade de desenvolvimento pessoal, assim como uma oportunidade de realizar atividades que lhes são prazerosas, sobre as quais tem interesse, como fica claro, quando falam sobre ritmos e dança. Mas também se constata que muitas delas vêem essa experiência com o teatro como uma oportunidade de capacitação para a futura atuação docente, reconhecendo nas atividades realizadas possibilidades metodológicas para o ensino de Teatro para as crianças.
A partir daqui, seguindo nosso objetivo inicial, de multiplicação dos saberes sobre o ensino da linguagem teatral, de capacitação das alunas enquanto professoras, a partir da aquisição desse repertório metodológico, entendemos que era necessário tornar mais explícita a relação possível entre o exercício da linguagem teatral e o ensino da mesma. Desde então passamos a enfatizar essa nossa proposta a cada aula e jogo, de maneira a chamar a atenção das alunas para essa possibilidade de se capacitarem para o ensino do Teatro através dessa experiência do fazer teatral.
Após mais ou menos um mês novamente, entendemos que seria importante, as alunas registrarem reflexões sobre essa relação entre as aulas de Teatro e a atuação futura delas como mediadoras do processo de ensino-aprendizagem com seus alunos. Justamente para fazerem o exercício de visualizar como realizar isso na prática. Sobre esse segundo capítulo, escreveremos em breve.

Melissa Vazques
Roberta Bandeira

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ciclo de Palestras PIBID II - Professora Nara Kaisermann da UNIRIO: “corpo infinito”.


Na última semana do mês de agosto o ciclo de palestras do PIBIB recebeu a Professora Nara Kaisermann da UNIRIO na FAE (Faculdade de Educação) da UFPEL.  

Os ouvintes, alunos dos cursos de dança e de teatro licenciatura, pibidianos, professores da rede de educação de Pelotas, coordenadores de áreas tiveram a oportunidade de refletir as teorias dos grandes mestres da história mundial do teatro e a prática corporal do ator no cotidiano. O teatro possível, parte da integração da teoria e prática. Cônscio do teatro, sua trajetória mundial cremos na sua prática integral artística.

Na introdução questionou o limite da pele. Como afetar o espectador além do belo? Assim, fez links entre a biomecânica de Meyerhold, as teorias do corpo sem órgãos de Artaud, mimo corporal de Ètienne Decroux e filosofia com José Gil, para fazer o que chama de uma espécie de “auto-ajuda para atores”. Isto é, práticas efetivas no cotidiano do ator. Da ativação da energia interna que se toma pelo espaço. O fazer arte, se permitir voar consciente, isto é, o trabalho da imagem (ator na cena).

Dessa forma, enfatizou que o teatro é arte do ator, para o teatro acontecer o ator potencializa sua energia corporal atraindo o espectador, implicando no seu estado corporal. A grande referência para ela é a Biomecânica de Meyerhold. Defende que Brecht também é influenciado por suas práticas. Meyerhold foi que trabalhou a potência corporal do ator ativada que altera a potencia corporal do espectador a partir do principio pensamento–ação “não há palavras então faço. Dessa forma, transforma o espectador passivo em agente ativo. Sendo assim, a consciência do movimento traz o estado da atenção. O corpo determina qual emoção o espectador vai associar a este ou aquele movimento criado pelo ator. A noção de pernas com molas. A projeção do corpo para o movimento fantástico.

Como exemplo trouxe o DVD da peça “Cão que morre não ladra” da CIA Chapitô de Portugal. A peça direcionada para o público em geral trata da morte de forma inteligente criativa. O cenário simples traz o foco para a movimentação dos atores que se transformam em corpos marionetes num jogo ilusório de um ator manipulando o corpo do outro.

 Assim que, a palestra fez-se um momento estimulante. Serviu para assumirmos nossa identidade atores e atrizes no contexto que vivenciamos e no contexto planetário. O teatro é do ator. Faz-se possível a partir da prática e também sobre raízes que devemos cavoucar diariamente, irrigar, tratar para que sempre semeie.